Sonhos de criança – que não se perderam no tempo - podem continuar a alimentar a vida adulta. Trazem oxigenação à mente envelhecida fortalecendo o desejo de viver mais: “Eu ainda quero realizar... (isso) e/ou ... (aquilo)”. Por muitas razões esses sonhos são postergados e, em muitos casos, nunca se concretizam. Em outros, são renovados, reavaliados, reformados e acontecem. Tornam-se execução do livre arbítrio do homem ao desejar, acreditar e realizar.
Trágico é quando os sonhos de criança são perdidos pela força do acaso. Crianças dizimadas como essas da tragédia do Realengo, Rio de Janeiro (7/4/2011). Sonhos interrompidos bruscamente pela intempérie de um jovem infeliz. Um jovem corrompido por transtornos mentais que viu na destruição de sonhos alheios a compensação do seu mal estar, do seu mal viver.
A vida nesse cenário de Realengo, não é bonita, é triste.
É triste pela morte de crianças inocentes. É triste pelo sofrimento de tantas outras crianças feridas. É triste pelo medo traumático que pode ter sucumbido o interior de todas as crianças da escola. Crianças traumatizadas, pais sofridos. Dor contínua... como um tsunami que invade um bairro, uma cidade, um país e se propaga mundo a fora. Todos sofremos juntos, especialmente, por serem crianças com muita vida pela frente.
Então, a vida é bonita somente para as crianças porque elas não enxergam o lado triste?
A vida é bonita porque mesmo numa situação de tragédia podem surgir atitudes belas.
Em Realengo, emerge a solidariedade da população. Solidariedade que numa espécie de “tsunami do bem” se propaga por toda uma nação. Destaca-se o herói militar que desempenhando a sua função não foge ao dever de socorrer as crianças oprimidas no Colégio e interromper a sequência da chacina premeditada pelo assassino.
Os momentos de dor proporcionam o aparecimento de sentimentos e atitudes nobres. Sentimentos e atitudes que desabrocham como flores do campo, sem se esperar, simplesmente acontecem.
Mesmo com o lado triste, as crianças continuam com razão: A vida é bonita, sim!
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