Em situação diferente do caçula daquela história, eu visitava minhas irmãs. Viajei por algumas léguas na garupa de um cavalo e passei dias de férias na fazenda do marido de minha irmã mais velha. Viajei de ônibus com meus pais para outra cidade onde morava minha segunda irmã casada com um rapaz de lá. A terceira irmã morava na mesma cidade que eu e, quase todo dia, eu ia lá pra casa dela. Depois ela mudou com o marido e os filhos para outra cidade e continuei a visita-la. A quarta irmã por um tempo ficou na capital a estudar e estive lá com meus pais para visita-la. A irmã mais nova, quinta irmã, casou-se e foi morar bem distante. Pouco tempo depois ela e o marido me levaram para passar meses de férias com eles por lá.
Cresci assim, visitando minhas irmãs. Cheguei a visitar também primos, primas, tios, tias e avós. A família estava sempre presente na nossa vida. Parentes, que eu conheci primeiramente por fotos no álbum de família, em sua maioria, tive a oportunidade de visitar depois.
O tempo passou, cresci, me formei, trabalhei, casei. Hoje aposentado, meus pais se foram para a outra vida, duas de minhas irmãs também. Restam três. Das três que restam, a mais velha já passa dos oitenta anos. Outra mora sozinha, por opção, na casa que foi de minha mãe. E a mais nova aqui na mesma cidade que eu, com o marido. Meus sobrinhos e sobrinhas estão dispersos em suas próprias moradas. Que diferença faz? Para mim, é o envelhecimento com o passar do tempo. Para os meus filhos é a redução do conceito de família estritamente ao núcleo familiar.
Meus filhos são dois: um menino e uma menina, agora adolescentes. Moram comigo e a mãe deles. Estamos em período de férias escolares e nem viajamos. Eles reclamam por ter de ficar em casa. Diferente de minha situação com minhas irmãs, eles são de idade próxima, moram juntos e não têm a opção de se visitar. As tias estão na terceira idade e não têm mais paciência e força para lidar com adolescentes, por isso não se arriscam a convidá-los para passar uns dias em suas casas. Os primos e as primas deles continuam distantes sem a aproximação e a amizade que eu tinha com meus sobrinhos. Minha família de hoje parece se resumir a quatro pessoas. Eu, minha mulher e nossos dois filhos. Os outros parentes ficaram distantes. Contatos de vez em quando por telefone, mas sem aquela presença física de antes no dia-a-dia.Meus filhos não têm o contato frequente que eu tive quando na idade deles. Eu sempre trouxe, dentro de mim, um sentimento forte de família. Família, para mim, sempre esteve em primeiro plano. Até ao ponto de, para agradar a família, sacrificar minha individualidade. Hoje, quase sessentão, tenho meus questionamentos sobre isso.
De qualquer maneira, é a dinâmica da vida. Ontem, o conceito de família era amplo, família grande. Hoje, a família é pequena: Pai, mãe e filho (um ou dois filhos).
Prevalecerá a individualidade? Há quem defenda a vida em comunidades. O fato é que a família de ontem, século XX, não é exatamente a mesma em seu formato de hoje, século XXI.De qualquer maneira, é a dinâmica da vida. Ontem, o conceito de família era amplo, família grande. Hoje, a família é pequena: Pai, mãe e filho (um ou dois filhos).
Primeiramente, ótimo texto.
ResponderExcluirNão sei como eram as famílias de antigamente (tenho apenas 18 anos). Porém, vejo pela minha própria família. Nós costumávamos nos reunir em ocasiões especiais, como natal, ano novo, festas de aniversário, até que as pessoas foram partindo, se distanciando. Hoje, a minha família sou eu, meu pai e minha mãe... nada mais! Confesso que sinto falta das bagunça das festas e da união da família. Certa vez em uma dessas festas, um primo meu me disse: "Aproveita esses dias, porque quando eles passarem, você vai sentir falta.". Eu deveria ter os meus 8, 9 anos, não dei importância ao que ele disse, e voltei para sala, para assistir TV. Hoje eu vejo, ele tinha razão.
Um abraço,
Talita (curso Senac)