sexta-feira, 6 de julho de 2012

“NA MORAL”

Dei uma “espiadinha” no novo programa do Pedro Bial. De modo geral, gostei da novidade. Entretanto, faço algumas observações sobre o assunto tratado no final.

O Bial repete a sua postura já conhecida no BBB (caras e bocas, tom de voz), quando defende e impõe seu ponto de vista sobre determinado assunto; nesse programa, notadamente ao defender o Alexandre Pires e sua “brincadeira” naquele clip polêmico dos gorilas.

De qualquer forma, com ou sem preconceito, creio que o Alexandre Pires, um grande artista, não foi feliz na concepção da ideia. Não que ele e seus amigos sejam racistas, acho que ninguém questiona isso. O problema tá nos olhos de quem vê. Aí é que tá o “x” da questão. Um clip é feito para o público e o público do Alexandre Pires se estende por todo o Brasil e além do Brasil. Portanto, é razoável pensar que algumas dessas pessoas tão diferentes possam entender a mensagem do clip como racista ou preconceituosa, uma vez que a mídia já divulgou atos envolvendo jogadores de futebol negros que foram chamados de gorilas ou receberam no campo bananas arremessadas da arquibancada por torcedores.

O programa foi além e trouxe versos da composição de Lamartine Babo / Irmãos Valença - “O teu cabelo não nega”:

“O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor, mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor.”

Não é do meu conhecimento que os autores dessa conhecida melodia tenham sido tachados, na época, como racistas. Eles não, a música, posteriormente, sim. Especialmente com o crescimento da consciência de igualdade dos cidadãos. Se escrita hoje, certamente, a letra seria diferente.

Não basta não ser racista ou preconceituoso, é preciso não deixar dúvidas e considerar, nas nossas atitudes, a leitura que poderá ser feita pelos concidadãos. “De bem intencionados o inferno tá cheio”, dizem.

A discussão do politicamente correto é, e sempre será, polêmica.
          

Nenhum comentário:

Postar um comentário